Análise: Red Dead Redemption II

Não é novidade que os jogos da Rockstar sempre possuem uma qualidade absurda e, mesmo achando que não tem para aonde melhorar, eles conseguem. Não é diferente em Red Dead Redemption II, jogo que antecede os acontecimentos do primeiro RDR. Este jogo já é um clássico e precisa ser jogado por quem ama games, entretanto, ele pode não ser para você.
Com essa frase, da-se a entender que se trata de um jogo complexo, chato ou até com um estilo muito único. Em parte é um pouco dos três. Mas antes de falar disso, falarei de aspectos técnicos do game.
JOGABILIDADE
Este é um dos pontos delicados a se tocar. A Rockstar nunca fez jogos com jogabilidades ruins, desde Max Payne, até GTA V e agora RDR. Os comandos são bem distribuídos pelo controle, sem causar muitas confusões para o jogador. Entretanto nem tudo é perfeito. Algumas coisas que aparentemente são simples as vezes nos prejudicam, como por exemplo quando queremos falar com alguém, e um dos botões de resposta é o mesmo de sacar sua arma. Pronto. Foi o necessário para causar uma confusão e ter sua cabeça procurada.

A jogabilidade as vezes é meio travada, pesada. Talvez tenha sido a intenção do jogo, mas ainda sim poderia abrir espaço para melhorias. Sem contar o gameplay com armas que nunca foi um primor da Rockstar, mas aqui em RDR parece estar inferior até ao GTA V. Outro ponto a se considerar, é que, só de você esbarrar ou encostar que seja em alguém na rua, a pé ou com seu cavalo, já é o suficiente para causar uma briga. Mas nem só de negatividade vive a jogabilidade. O controle do cavalo, é fenomenal, mesmo com o peso dito e afins. A Gameplay de RDR é algo a se "acostumar" por assim dizer, talvez a realidade altíssima empregada tenha prejudicado um pouco. Mas a física, a disposição de comando e afins ainda sim é algo bom.
GRÁFICOS
É quase que indescritível a sensação que este jogo traz. Os gráficos são simplesmente absurdos e um dos melhores (se não o melhor) da geração até agora. Quem jogou, posso afirmar mesmo sem conhecer, que ficou deslumbrado com as paisagens exuberantes, apenas parado com seu cavalo em alguma montanha ou desfiladeiro, observando o sol que se põe. Este é com certeza um dos pontos altíssimos dos game. O Gráfico te convence. É tudo muito lindo. Os efeitos de luz e sombra, a ambientação fenomenal que passa desde desfiladeiros até montanhas, desertos, lugares com neve, rios, pântanos. É tudo fenomenal.
Outro ponto é a expressão facial dos personagens que é maravilhosa e te convence do sentimento que está tentando ser jogado ali. As texturas também são incríveis, como o pelo dos animais, ou o couro, a vegetação, o céu que é simplesmente maravilhoso. Aqui não consigo citar nenhum defeito.
HISTÓRIA
E é aqui aonde o jogo pode pecar para alguns e para outros nem tanto. O jogo é um Prequel, que conta a história de Arthur Morgan, um dos membros da gangue de Dutch Van Der Linde, o mesmo vilão do primeiro RDR. A história gira em torno da gangue tentando ganhar dinheiro para que larguem a vida de nômades e finalmente se estabilizem como cidadãos. Na história vemos alguns nomes conhecidos do primeiro game, até mesmo vemos John Marston e sua família.
Arthur é um personagem fenomenal. O meu preferido dos games. Sim, chegou a este ponto. Arthur não é necessariamente um vilão, nem um herói, ele é apenas um sobrevivente e isso fica muito claro. Arthur é um homem frustrado com sua vida, pois não possui nenhuma conquista significativa de fato e, como a história corre ao longo do jogo é simplesmente fenomenal.

O jogo possui temática de velho oeste e, para os que são fãs como eu e consomem mídias relacionadas, sabem que filmes com esta temática, normalmente mais antigos, possuem uma história mais arrastada, mais lenta e que não acontece reviravoltas mirabolantes de uma hora para outra, tudo é esculpido aos poucos, como se montássemos um castelo de areia grão a grão usando uma pinça. Tudo faz sentido no game. E é isso que pode não ter agradado muitos ao longo do game. A história se arrasta, é lenta e as vezes parece chata por demorar a culminar em grandes feitos. Mas aqui acaba sendo do gosto de quem joga e não um problema técnico de fato.
MÚSICA e SONS
Aqui é outro ponto aonde o jogo brilha. Eu particularmente sou fã de trilhas sonoras de velho oeste, de todo aquele clima pesado e que te transporta até essa era. E isso RDR faz com maestria. Desde músicas instrumentais e até cantadas. Todas são perfeitas e se encaixam muito bem em com o momento em que tocam. Até mesmo as cantigas na fogueira de seu acampamento são excelentes, ou as músicas tocadas nos saloons das cidades.

O barulho das coisas também é fenomenal. O som do seu caminhar te coloca numa imersão fantástica. Perceber como muda o som ao pisar na lama, na terra, grama ou num chão de madeira. Como um assobio ecoa dentro de uma caverna mas tem comportamentos diferentes em outros ambientes. O som das armas e dos animais. Tudo isso foi feito com muito esmero e é possível perceber tanta qualidade.
DETALHES E OUTRAS COISAS
Isso é algo que gostaria de falar aqui. Os detalhes em GTA V já nos deixaram boquiabertos. Em RDR isso foi levado a outra potência. A forma como ficamos sujos de lama se cairmos no chão, como ficamos sujos de poeira ou sangue, como a chuva se comporta e os animais também. Tudo isso é fenomenal e traz uma imersão inacreditável. Um detalhe em específico que agradou a muitos é a forma como seu cabelo e barba crescem. Em GTA V tínhamos algo parecido, ainda em fase inicial, mas aqui em RDR II isso também é elevado a outra potência e percebemos de fato o passar do tempo graças a esse aspecto.

Os acontecimentos que temos ao longo de nossas viagens, que não são missões secundárias também são excelentes. Encontramos pessoas feridas pelo caminho, que se à ajudarmos, as consequências de nosso ato irão refletir lá na frente. Ou quando tentam nos roubar ou só damos conselhos aos outros. É tudo feito com o máximo cuidado.
ONLINE
Seguindo o que se esperava após o sucesso de GTA Online, RDR também possuí seu próprio modo online. Confesso não ter jogado muito, mas ainda sim o suficiente para comentar sobre. Assim como no GTA você possui a opção de customização do personagem, que poderia ser mais abrangente, mais ainda sim bem legal. O seu personagem possui história própria pro online e as missões te fazem se apegar ao personagem criado.

É um modo extremamente divertido e que pode render boas horas a mais de gameplay após completar 100% no modo single player (o que imagino demorar e MUITO para acontecer). Creio que não fará o sucesso do supra citado GTA, mas que ainda sim será jogado por algum tempo por uma boa leva de jogadores.
VEREDITO
E isso toca diretamente no título desta análise e no que eu disse no início. RDR II é uma obra prima do entretenimento, mas que não é para todos. É um jogo lento de se pegar ritmo, possuí uma história longa e cheia de detalhes. É uma trama complicada de se acompanhar e para muitos isso pode não agradar. RDR não é o tipo de jogo que você joga apenas meia hora dele e para por que já tem que dormir ou algo assim. RDR demanda tempo e dedicação, quase que como um ritual. É um jogo extremamente denso, com inúmeras camadas e que deve ser observado com calma. RDR II não deve ser jogado, RDR II deve ser vivido.
NOTA FINAL: 9/10